Sem organização não há progresso. Há incidente, na melhor das hipóteses. Todos nós nos organizamos de alguma maneira para atingir os objetivos de maior valor para nós. Do simples fato de aprender a andar à gestão de uma empresa, criamos ou aprendemos a dominar métodos confortáveis para nós, que buscamos resultados. Tais métodos são repetidos infinita e invariavelmente, criando processos que nos ajudam a manter-nos organizados. E quanto mais processos criamos ou dominamos, mais organizados nos mantemos, e assim conseguimos progredir. Todos nós estamos executando diariamente algum processo que vai nos ajudar a progredir de alguma maneira. Esta é a natureza humana. Evoluir sem parar, independente do tamanho da evolução. E para extrair o máximo de valor de processos que são benéficos a cada um de nós, precisamos de organização. Paradoxalmente, para que sejamos organizados e consigamos progredir, precisamos de processos. Consequentemente, não há uma organização sequer sem processos.

Processos nos ajudam a medir o sucesso de nossas iniciativas. Se eu sei, em minha startup, que a minha taxa media de conversão é 8%, sei que se eu conseguir 1.000 visitantes no meu serviço eu consigo em torno de 80 cadastros. Sei que meus servidors só aguentam 2.500 usuários simultâneos. Ao me aproximar deste número, ou me desespero ou preparo a contingência. Processos são meras relações de causa-efeito documentados. E são extremamente úteis para tomarmos decisões valiosas, especialmente em startups. Sem olhar para as relações de causa-efeito mais importantes para o nosso negócio, ficamos cegos. Daí, ou fracassamos, ou atingimos o sucesso por incidente. Ou seja, vamos fracassar cedo ou tarde.

Peter Thiel, em seu livro Zero To One, afirma que uma startup sem uma boa fundação (estrutura) jamais será corrigida. Ele compara tal situação à mudanças constitucionais nos países mais antigos do mundo: raramente acontecem. Ou seja, quanto mais cedo as cartas são postas à mesa, por mais conflituoso que possa ser, melhor. Certamente a empresa será poupada de um grande grau de disfunção no futuro. Eric Ries, em The Lean Startup, também defende que toda startup precisa de organização e um processo replicável de experimentação até chegar ao seu Minimum Viable Product. Por fim, Steve Blank, pai do processo de Customer Development, também afirma que startups também precisam de processos que as ajudem a encontrar seu Product-Market Fit e a conhecer cada vez melhor seus clientes. Steve Blank, em Startup Owner Manual, nos auxilia, ainda, explicitando que startups e empresas consolidadas precisam de processos distintos, porque possuem propósitos distintos. Enquanto uma startup busca descobrir os seus clientes, uma empresa consolidada busca mantê-los retidos. Abaixo, a diferenciação exposta por Blank:

 

Portanto, lembrem-se sempre: Sucesso por incidente não é replicável, muito menos escalável. E tem prazo de validade. É importante detectar as relações de causa-efeito mais importantes pro seu negócio, e conseguir replicá-las.

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