Definir OKRs (Objectives and Key Results) eficazes é um dos grandes diferenciais para acelerar a execução estratégica de uma equipe ou organização. Contudo, muitas vezes eles acabam sendo apenas uma lista de tarefas ou metas soltas, sem conexão real com a estratégia do negócio.
Segundo o OKR Institute e reforçado por John Doerr em Avalie o que Importa, os OKRs devem ser um mecanismo para gerar foco, alinhamento e execução estratégica. Eles não existem para controlar, mas sim para direcionar a energia da organização para o que realmente faz diferença. Portanto, a forma como são escritos influencia diretamente os resultados.
Por esse motivo, revisitar com frequência os OKRs e avaliar se estão conectados à estratégia é essencial. Além disso, algumas perguntas podem ajudar nesse processo:
1. EM PRIMEIRO LUGAR, Seu Objetivo busca uma mudança incremental, um salto ou uma descoberta?
É importante diferenciar o tipo de ambição que você está colocando no papel. Nesse sentido, podemos destacar três tipos principais:
- Mudança incremental (Roofshot): melhorar algo que já existe. Ex.: aumentar a taxa de conversão em 5%.
- Salto (Moonshot): alcançar algo altamente ambicioso. Ex.: dobrar a receita em um ano.
- Descoberta (OKR de Aprendizado): validar uma hipótese. Ex.: “Confirmar se nosso público B2B tem interesse no produto X”.
2. EM SEGUIDA, REFLITA: Seu Objetivo poderia ser mais específico?
Objetivos genéricos diluem o foco. Assim, quanto mais específico, mais claro fica o caminho e os trade-offs necessários. Por exemplo, veja como um ajuste simples transforma a clareza:
- ANTES: Melhorar o atendimento ao cliente.
- DEPOIS: Elevar a taxa de resolução no primeiro contato de 75% para 90%, refletindo nosso compromisso com a experiência do cliente.
3. OUTRO PONTO RELEVANTE, Seu Objetivo é orientado para a ação?
Objetivos devem apontar uma direção de movimento, e não apenas descrever um estado desejado. Portanto, é fundamental formular metas que transmitam ação e intencionalidade. Com isso, você cria uma narrativa de progresso.
Exemplo:
- ANTES: Aumentar a presença digital.
- DEPOIS: Construir uma presença digital de referência no setor, ampliando em 50% o alcance orgânico e engajando comunidades alinhadas aos nossos valores.
4. Você consegue expressar o mesmo Objetivo de forma mais simples e concisa?
Objetivos excessivamente complexos confundem. Dessa forma, a simplicidade facilita o engajamento e a execução.
Exemplo:
- ANTES: Consolidar um modelo de atuação interdepartamental com foco na otimização dos fluxos de trabalho e sinergia organizacional.
- DEPOIS: Construir práticas colaborativas entre marketing, vendas e produto que acelerem a entrega de valor ao cliente.
5. Seu Objetivo se conecta aos seus valores?
Um Objetivo conectado aos valores da organização não só gera engajamento emocional, como também serve como critério de decisão.
Exemplo:
Se a empresa valoriza inclusão e diversidade, um Objetivo poderia ser:
“Promover um ambiente de trabalho inclusivo, refletindo respeito e diversidade em 100% das comunicações internas e processos seletivos.”
Exemplo prático focado em Produto
Uma equipe de Produto tinha como objetivo genérico “melhorar a experiência do usuário no app”. Esse tipo de meta era vago e não ajudava a orientar decisões ou medir progresso real. No entanto, após revisar os princípios de bons OKRs, o time reformulou sua forma de trabalhar:
Objetivo: Entregar uma experiência de uso mais fluida e valiosa no aplicativo, aumentando a retenção e o engajamento dos usuários.
Key Results:
- Reduzir o tempo médio de onboarding de novos usuários de 8 minutos para menos de 4 minutos (Leading Indicator).
- Elevar a taxa de ativação (usuários que completam a primeira ação-chave no app) de 55% para 75%.
- Aumentar a retenção de 30 dias de 40% para 55% (Lagging Indicator).
- Coletar feedback estruturado de pelo menos 200 usuários em entrevistas e testes de usabilidade, gerando insights para próximos ciclos de desenvolvimento.
Resultado: Como consequência, o time deixou de acompanhar apenas métricas superficiais, como downloads do app, e passou a focar nos pontos que realmente impactam a vida do usuário. Isso gerou maior engajamento, reduziu atritos na jornada inicial e abriu espaço para planejar novas funcionalidades baseadas em dados reais.
Reflexão final
Aplicar OKRs não é “cumprir uma checklist”. Na prática, é um processo de conexão constante entre o que a organização quer se tornar e o que as equipes entregam no dia a dia.
Vale se perguntar sempre:
- Eles refletem as prioridades estratégicas da organização?
- Estão claros, orientados para a ação e formulados de maneira simples?
- Estão conectados aos valores que sustentam nossa cultura?
Como lembra John Doerr: ideias são fáceis. Execução é tudo. Portanto, os OKRs são a ferramenta que traduz essa execução em foco e alinhamento para gerar impacto real.
E, no contexto do SAFe (Scaled Agile Framework), os OKRs se tornam ainda mais poderosos. Isso porque, no Lean Portfolio Management, eles funcionam como a ponte entre estratégia e execução, garantindo transparência e coerência em todos os níveis da organização.
Se quiser se aprofundar:
→ Introdução aos OKRs no SAFe: como alavancar resultados com alinhamento e transparência
→ Como conectar temas estratégicos a OKRs no Lean Portfolio do SAFe
E, se você busca uma formação estruturada e reconhecida internacionalmente para aplicar OKRs com consistência e impacto, conheça nosso curso:
→ OKR Practitioner C-OKRP® – Curso com certificação internacional do OKR Institute
E, para concluir, fica a reflexão final: no seu caso, qual das perguntas que trouxe neste artigo você considera mais desafiadora ao definir seus OKRs?
